Por Dr. Fernando Ludwig | CRM 24063 | RQE 17071 | RQE 15017
Testosterona Para Mulheres? A Verdade Científica Que Poucos Médicos Explicam
08 Set
|
9 min de leitura
Por Dr. Fernando Ludwig | CRM 24063 | RQE 17071 | RQE 15017
08 Set
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9 min de leitura
Testosterona é hormônio de homem. Essa ideia está tão enraizada no imaginário popular que muitas mulheres ficam surpresas ao descobrir que produzem testosterona todos os dias da vida — e que precisam dela para funcionar bem. Ela foi descrita como "hormônio masculino", mas a biologia é muito mais democrática do que esse rótulo sugere.
O Dr. Fernando Ludwig, especialista em performance, longevidade e cardiologia, aborda o tema com a precisão que ele exige: baseado em evidências, sem romantismos e sem alarmismos. "Existe muito marketing em torno da testosterona feminina. E existe muito medo, também. O que a maioria das mulheres e de muitos médicos não tem é a informação completa e contextualizada. É isso que este artigo pretende oferecer."
Em mulheres em idade reprodutiva, a testosterona é produzida nos ovários e nas glândulas adrenais. Os níveis são significativamente mais baixos do que nos homens — entre 10 e 80 ng/dL em mulheres, contra 300 a 1000 ng/dL em homens — mas os efeitos fisiológicos dessa concentração são relevantes e multifatoriais.
A testosterona feminina participa de: regulação da libido e função sexual; manutenção da massa muscular e força física; saúde óssea (síntese de colágeno e densidade mineral); bem-estar emocional, energia e disposição; regulação do ciclo menstrual em conjunto com estrogênio e progesterona; e, em pesquisas mais recentes, proteção cognitiva — embora a relação de causalidade ainda esteja sendo investigada.
Com o envelhecimento, especialmente a partir da perimenopausa, os níveis de testosterona feminina declinam progressivamente. Essa queda pode contribuir para sintomas como redução da libido, fadiga, perda de força muscular, alterações de humor e menor densidade óssea — um quadro que frequentemente se sobrepõe aos sintomas clássicos da menopausa e complica o diagnóstico diferencial.
Aqui a ciência é clara, e o Dr. Fernando Ludwig não suaviza a mensagem: atualmente, a única indicação clinicamente reconhecida e respaldada pelas diretrizes internacionais e nacionais para o uso terapêutico de testosterona em mulheres é o tratamento do transtorno do desejo sexual hipoativo (TDSH) em mulheres na pós-menopausa.
Essa posição é endossada pelo Consenso Global sobre Terapia de Testosterona em Mulheres (Davis et al., 2019), pelo Consenso da Endocrine Society e, no Brasil, pela nota conjunta da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia), da FEBRASGO (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia) e do Departamento de Cardiologia da Mulher da SBC — reafirmada em 2025.
O TDSH é definido como ausência ou redução significativa do interesse sexual associada a sofrimento pessoal, após exclusão de outras causas — problemas relacionais, depressão, efeitos colaterais de medicamentos (como alguns antidepressivos e anticoncepcionais), deficiências de outros hormônios. O diagnóstico é clínico e de exclusão — não laboratorial. Não existe nível "baixo" de testosterona que, por si só, justifique a prescrição.
O Dr. Fernando Ludwig é transparente sobre os limites da evidência atual, e essa transparência é um ato de respeito pela saúde das pacientes. A nota conjunta da SBEM, FEBRASGO e DCM-SBC é explícita: não existe respaldo científico para uso de testosterona com fins estéticos, para aumento de massa muscular, emagrecimento, melhora de disposição em mulheres saudáveis, efeitos antienvelhecimento ou prevenção cardiovascular primária.
Isso não significa que pesquisas nessas áreas não existam — algumas são promissoras. Uma análise publicada na Nature em 2022 encontrou associação entre níveis mais altos de testosterona e maior densidade mineral óssea em mulheres de 40 a 60 anos. Um estudo de 2025 no JAMA avaliou testosterona combinada com fisioterapia em mulheres idosas após fratura de quadril e encontrou melhora modesta na força e recuperação funcional. Um trabalho da Clinical Endocrinology, também de 2025, apontou associação entre testosterona e proteção cognitiva em mulheres pós-menopausadas.
Mas existe uma diferença fundamental entre associação e causalidade, entre estudos iniciais e recomendação clínica. "Fazer tratamento baseado em estudos observacionais e preliminares é jogar com a saúde da paciente. A minha função como médico é usar o que a evidência já comprova, acompanhar o que está emergindo, e ser honesto sobre o que ainda não sabemos", enfatiza o Dr. Fernando Ludwig.
A prescrição de testosterona sem indicação formal traz riscos que merecem ser nomeados. O excesso de testosterona em mulheres pode causar: hirsutismo (crescimento de pelos em regiões de padrão masculino), acne, queda de cabelo com padrão androgenético, irregularidades menstruais, alterações na voz (potencialmente irreversíveis), e efeitos cardiovasculares que ainda estão sendo investigados.
No Brasil, um agravante: não existe formulação de testosterona aprovada pela ANVISA para uso em mulheres. Quando indicada clinicamente, a terapia precisa ser feita com formulações de qualidade farmacêutica comprovada e monitoramento rigoroso. Implantes subcutâneos (pellets), muito populares em alguns círculos de medicina estética, não são recomendados pelas principais sociedades médicas brasileiras e internacionais pela ausência de controle de qualidade e farmacocinética imprevisível.
O Dr. Fernando Ludwig adverte sobre os "hormônios bioidênticos" como rótulo de marketing: "A palavra bioidêntico é, muitas vezes, uma estratégia de marketing. Um hormônio manipulado em farmácia magistral tem os mesmos riscos de um hormônio sintético — e frequentemente tem menos controle de qualidade. Isso precisa ser dito claramente para as pacientes."
Quando uma paciente chega ao Dr. Fernando Ludwig com queixas que podem estar relacionadas à desregulação androgênica — redução da libido, fadiga, perda de força muscular, alterações de humor — o protocolo envolve uma avaliação ampla e rigorosa, não a prescrição imediata de testosterona.
A avaliação inclui: história clínica detalhada (qualidade do sono, nível de estresse, histórico hormonal, uso de medicamentos); avaliação da qualidade dos relacionamentos e saúde mental; exame físico completo; painel laboratorial que inclui estrogênio, progesterona, FSH, LH, prolactina, cortisol, hormônios tireoidianos, vitamina D, ferro e ferritina — além de, quando clinicamente justificado, testosterona total e livre e SHBG.
"Frequentemente, o que parece ser baixo androgênio é, na verdade, hipotireoidismo subclínico, deficiência de vitamina D, anemia ferropriva, ou simplesmente privação de sono e sobrecarga de estresse. Resolver esses problemas frequentemente resolve os sintomas — sem precisar de testosterona."
A ciência está avançando. O Dr. Fernando Ludwig acompanha essa evolução de perto. Pesquisas em andamento investigam o papel dos androgênios femininos na proteção cognitiva, na saúde óssea e na função cardiovascular, com metodologias mais robustas do que os estudos observacionais existentes.
"Minha expectativa é que nos próximos cinco a dez anos teremos evidências de maior qualidade que permitirão ampliar as indicações clínicas da testosterona feminina com segurança científica. Mas até lá, meu compromisso é com o que a evidência comprova hoje, não com o que eu espero que ela comprove amanhã. Isso é ética médica."
Devo dosar minha testosterona se estou com queda de libido?
A queda de libido em mulheres é multifatorial. O Dr. Fernando Ludwig avalia um painel completo antes de qualquer decisão sobre testosterona. A dosagem de testosterona pode ser justificada em alguns contextos clínicos, mas não como exame de rotina ou como pré-requisito para a prescrição. O diagnóstico de TDSH é clínico e de exclusão — não laboratorial.
Se estou na menopausa e tenho baixo desejo sexual, posso usar testosterona?
Possivelmente, se o diagnóstico de TDSH for confirmado após exclusão de outras causas e se a avaliação clínica completa indicar que os benefícios superam os riscos no seu caso específico. Essa é uma decisão individualizada que exige acompanhamento especializado. O Dr. Fernando Ludwig realiza essa avaliação com rigor e transparência.
Pellets de testosterona são seguros para mulheres?
As principais sociedades médicas brasileiras (SBEM, FEBRASGO) e internacionais não recomendam pellets por ausência de controle de qualidade, farmacocinética imprevisível e risco aumentado de eventos adversos. O Dr. Fernando Ludwig não utiliza esse método em seus protocolos clínicos.
Testosterona causa câncer de mama em mulheres?
A relação entre testosterona e câncer de mama ainda está sendo investigada. A evidência atual não estabelece causalidade. O uso terapêutico de testosterona em mulheres com histórico pessoal de câncer de mama requer avaliação oncológica especializada e é contraindicado em muitos cenários. Converse com o Dr. Fernando Ludwig e, se pertinente, com seu oncologista.
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